"Um dia revirei a gaveta e descobri em textos que tinha escrito há muito tempo, coisas importantes sobre a minha alma que eu mesma não sabia. Então eu pude contemplar um novo universo. E eu quis poder compartilhá-lo com você". Antes escrevíamos e guardávamos nossos escritos... agora escrevemos para o mundo!
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Tola caçadora de almas perdidas
que procura dar o melhor de si
tentando inutilmente acolher e acalmar almas
das quais julga sofredoras
Mas ninguém ajuda quem não quer ser ajudado
Ninguém pode encontrar quem não está perdido.
Há aqueles que vão ao inferno atrás daqueles a quem amam
e não pedem o reconhecimento, nem o amor de volta
Apenas ficam ali, juntos dos que sofrem
esperando o momento em que estes se libertarão
das amarras do passado, da dor, da revolta e do peso das mágoas
Esse é o verdadeiro amor
e eu acho que não cheguei a esse nível ainda
porque eu estou tentando salvar uma alma
e estou prestes a desistir...
Mas se essa alma não conseguiu ter o meu lado bom,
não vai ser o meu lado ruim que ela terá.
Estou tirando as correntes que eu mesma coloquei em mim
as mesmas correntes que eu coloco quando quero salvar alguém
Eu entendi,
que sou eu a quem devo salvar primeiro,
tola caçadora
que procura a si mesma.
(Daniela Teófilo)
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Os passos seguem sem rumo, lentos, cadenciados.
Ninguém por perto, apenas o ruído dos sapatos que se movem.
A rua, que sempre pareceu assustadora, agora ganha um ar ainda mais sombrio.
Parece que a noite se incumbiu de apagar até as luzes que antes enchiam o lugar com suas sombras.
E os passos seguem, ainda sem rumo, ainda lentos, descompassados.
Na cabeça nada, apenas o torpor da tristeza, do vazio, do uísque.
Já faz tempo que deixou de pensar, de agir.
Apenas deixa a vida acontecer, um dia após o outro.
O mesmo bar, o velho balcão com marcas escuras dos cigarros.
A mesma música depressiva, talvez um blues.
Já não reconhece e nem faz diferença.
Aquelas pessoas, seus iguais.
Pensa, relembra, reage.
Outros passos, mais lentos, indecisos.
Uma luz.
Uma dor.
A queda.
A inconsciência.
O fim.
(Odirley Deotti)
Sobre o autor: Odirley Deotti nasceu em 17 de agosto de 1981, em Campo Grande (MS). Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Atualmente é pós-graduando em Marketing pela Universidade Estácio de Sá Campo Grande.
Assessor de Comunicação há mais de 6 anos, desde a infância cria seus mundos literários e lê tudo o que encontra sobre mitologias, história medieval e aventuras. Gosta da roda de amigos ao som de blues, rock e outros gêneros musicais similares, onde encontra a inspiração para criar.
Há cerca de um ano trabalha em um livro, ainda sem nome, em que a fantasia e a realidade têm uma ligação tênue.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Silêncio
Um grito no escuro
E assim as coisas vão brotando em mim
Em forma de poesia
Silenciosa e triste ...
Um grito surdo
Um grito, um surto ...
Mas ninguém ouve
E eu extravaso em palavras secas
Em sentimentos letrados
Um grito no escuro
Um tiro no escuro
Uma lágrima no escuro
Ninguém vê
Ninguém ouve
Ninguém sente
Ninguém quer sentir
Mas eu vejo, ouço e sinto
E dói!!! ... como dói!!!
(Vivianne Nunes - Escrito em 21 de fevereiro de 2008)